Ok, para um episódio escrito pelo trio "dono" da série (roteiro de Damon Lindelof e Carlton Cuse, direção de Jack Bender), Lighthouse é um episódio fraco. Não que seja um episódio ruim, mas não tem jeito, sempre que se ouve falar que "o próximo episódio é escrito pelos produtores" a gente - ou eu, pelo menos - aumenta a expectativa por um episódio sem gorduras ou fillers. E a verdade é que o quinto episódio dessa temporada tem poucos fillers, mas nem por isso se destaca como um episódio-chave.
Pode ser porque eu não curto episódios do Jack (à retumbante exceção do season finale da terceira temporada), e não é que eu ache Matthew Fox mau ator, é só que o Jack é um personagem chato. Os conflitos dele são chatos. 90% das cenas dedicadas ao desenvolvimento da personagem me fazem lembrar que, no roteiro original do piloto da série, ele morria. Não duvido que ele vá ter importância para o desfecho, mas será que essa importância justifica tantos episódios do mesmíssimo drama familiar? Enquanto Sawyer, Hurley, Sayid, Locke, Sun e Jin tiveram arcos evolutivos bem demarcados ao longo da série, Jack parece que nunca sai da mesma nota. E isso porque o salto de 3 anos que o deixou barbudo e transtornado veio na exata metade da série, ou seja, tinha todas as chances de evoluir dali pra frente, mas parece que esse aspecto foi esquecido. Pior que ele, só a coitada da Kate.
Mas teve outra coisa que me incomodou em Lighthouse: o saudosismo descarado. Autoreferências são ferramentas poderosas na cultura pop, e normalmente funcionam bem em Lost, mas nesse episódio, sei lá por quê, a impressão que passou foi que os produtores estavam apenas tendo uma crise nostálgica da primeira temporada, ao contrário de trazendo à tona questões antigas que serão relevantes ao roteiro. Talvez o recurso de usar Hurley para refletir as teorias do público tenha me cansado. Ou talvez seja perigoso evocar tantas memórias da primeira temporada sem garantir que o episódio corrente vá estar à altura.
Exemplo cristalino do que eu digo: a forma como os Darlton encheram a cena de Jin e Claire na cabana com acenos ao episódio em que Sayid é capturado por Rousseau. Passou dos limites da referência e virou paródia. Me fez ficar esperando da pobre Emilie DeRavin uma atuação no mínimo tão forte quanto a da Mira Furlan, o que é francamente covardia. E o quão contraproducente é fazer Hurley e Jack discutirem que "aqueles eram os dias," validando totalmente o sentimento de que Lost nunca vai terminar com a mesma grandiosidade que começou?
Sem falar de algumas cenas onde os produtores pareciam estar exorcizando todas as críticas que eles lêem há 5 anos sobre inconsistências na forma como os mistérios são tratados. Hurley dizendo que nunca haviam visto o farol porque "não estávamos procurando" foi basicamente Darlton dizendo "olha, a história é essa e a gente coloca e retira elementos como a gente quiser, se não gostou vai ver reality show e não torra." O que calha de sempre ter sido a minha opinião em infindáveis debates com outros fãs que anotam cada detalhe de cada episódio pra ficar cornetando depois. Mas precisa descer oficialmente do salto assim? Ou botar cenas em que Jack e Kate se encontram no meio da floresta e batem papo como vizinhos que se cruzaram a caminho da padaria?
No fim das contas, Lighthouse é um episódio tecnicamente perfeito, mas que não empolgou. Claro que eu também gritei com a televisão quando Jack fez o Jack e arrebentou o espelho, mas tudo o que veio antes e tudo o que veio depois foi basicamente nostálgico, divertidinho, e meh. Tanto que eu demorei quase 3 semanas para criar coragem e escrever essa resenha, e só o fiz por completismo já que os dois episódios seguintes, esses sim, me empolgaram para escrever, embora por motivos muito diferentes. Mais a seguir.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
6x04 "The Substitute"
E parece que a sexta e última temporada de Lost finalmente foi agraciada com um episódio de mitologia, e não é nenhuma surpresa pra mim que eu o considere o melhor dos 4. Longe de mim virar um desses telespectadores que valorizam mais os mistérios do que os personagens (até porque, isso é caminho certeiro para a decepção, já que muitos dos mistérios da série são puro jogo de espelhos e fumaça e poucos vão ter respostas definitivas), mas 3 episódios com tão pouco dedicado ao núcleo da estátua estavam me deixando infeliz. Além disso, "The Substitute" foi magistralmente montado para satisfazer tanto a sede por mitologia, na linha temporal de 2007, quanto a sede de atuações e cenas de construção de personagem, na linha temporal de 2004. De fato, foi um episódio tão intenso que eu tinha certeza que tinha acabado no penúltimo bloco, e já estava plenamente satisfeito naquele ponto. Quisera que todo o resto da série fosse escrita nesse ritmo, certeza que a temporada valeria por duas.
Antes de mais nada, deixem-me frisar que essa última temporada é toda do Terry O'Quinn. Ele é tão competente no que faz que até fisicamente diferentes são as duas personagens que ele interpreta, e sem qualquer tipo de maquiagem ou adereço. E digo mais, ambos totalmente díspares do Locke da ilha. O Locke de 2004 é uma pessoa bem mais plácida e madura do que sua contraparte que caiu com o vôo 815, e mesmo antes de vermos Helen em cena, a atuação de Terry já havia comunicado claramente essa diferença. Por outro lado, o monstro no corpo de Locke é assustador, ainda mais assustador do que o Locke da primeira temporada. Ele tem os olhos frios, calculistas, e com um rancor que genuinamente parece ter sido curtido por centenas de anos. E ainda assim, quando o misterioso menino loiro surge para confrontá-lo com a crueldade dos seus atos, ele responde com um já familiar "Não me diga o que não posso fazer" que, apesar de remeter ao dono do corpo que ele agora veste, tem sua base em um ódio infinito, não em uma frustração humana.
Outro destaque desse episódio foi a direção de Tucker Gates, diretor da tchurma do JJ que foi trazido de volta lááá da primeira temporada (quando dirigiu os excelentes "Confidence Man," "... In Translation" e "Born to Run" e desde então só havia voltado à série para dirigir o chatíssimo "I Do" na terceira temporada). Por mais que eu goste do Jack Bender, e eu gosto muito, é sempre bom quando algum diretor convidado injeta planos e tomadas mais ousados na série. Aquele vôo em primeira pessoa do Monstro de Fumaça pela ilha, por exemplo, é ao mesmo tempo assustador e empolgante. Discretamente dá ao telespectador um vislumbre do poder e da força do monstro, e da fúria com que ele vasculha a ilha atrás de seus alvos. Outra cena em que a direção se destaca é a cena em que Locke faz a entrevista de emprego, com planos desconfortáveis que me lembraram Kubrick.
Nesse episódio também pela primeira vez eu estava igualmente interessado nas duas realidades. De fato, no 2004 alternativo, uma das coisas que mais me chama a atenção é como todas as "reapresentações" entre personagens são boas. A cena entre Hurley e Locke foi ótima, dava pra ver claramente que os dois atores estavam se divertindo genuinamente. E como negar que Jorge Garcia também conseguiu fazer um Hurley confiante e patronizador bastante convincente? Para quem entrou na série fazendo papel de si mesmo, é um crescimento digno de nota.
E só pra chover no molhado mais um pouco, mesmo sem ter tido um grande momento na temporada até agora, Michael Emerson engole a cena do enterro do Locke de tal forma que até a piada do Lapidus soa totalmente fora de tom depois de suas palavras finais. Tenho certeza que no papel ela se encaixava bem, ninguém deveria imaginar que Emerson iria conseguir fazer o público chorar com uma fala de 15 segundos e um olhar tão carregado de emoções conflitantes quanto o sorriso da Mona Lisa.
Em termos de roteiro, "The Substitute" é primoroso. Na linha de tempo de 2004, é um dos melhores episódios Locke-centricos de toda a série, e a resignação com sua condição no final, e a aceitação da Helen, me marejou os olhos. E na linha de tempo de 2007, é um meta-episódio que tem a principal função de resgatar, pela quinta vez, o interesse do público na história depois de um hiato de meses (que é a razão pela qual existem pouquíssimas teleséries com arcos que ultrapassam os limites de uma temporada, coisa que Carlton Cuse e Damon Lindelof aprenderam a duras penas). Enquanto o público é (muito bem) representado por um Sawyer que já não tem mais paciência para a forma manjada da série apresentar seus mistérios - me senti libertado quando o Smokey diz que ele parece "pouco impressionado por falar com um morto" e ele diz que já tá cagando e andando pra essas coisas pseudochocantes -, o Flockezilla tem a função de nos ludibriar (ok, praticamente implorar) para voltarmos a querer saber afinal qual é a razão daquilo tudo. E no fim, depois de tentar nos seduzir com aparições, frases interrompidas, cenas de ação e jogos mentais olhando em nossos olhos, ainda nos dão um doce mostrando aqueles nomes riscados na pedra. E eu que tinha reclamado que não havia mais nada na ilha para ser descoberto, tive uma grata surpresa que chegou a remeter ao famoso e saudoso mapa na parede da escotilha (guardadas as proporções, claro). Por um momento, Lost voltou a ser aquela série que uns dementes (eu) ficavam dando pause e capturando tela pra analisar centímetro a centímetro cada pedaço de cena. E eu fui feliz.
Então ok, Damon, Cuse, vocês me convenceram a mais uma vez me envolver com a história de vocês. Não tenho grandes expectativas, mas as poucas que eu tenho, espero que vocês não decepcionem ao final. Por enquano, tá indo tudo muito bem.
E antes de ir, só para eleger como melhor cena do episódio aquela em que o Locke falso pega a pedra branca, analisa lentamente, depois a atira no mar e quando indagado por Sawyer o que foi aquilo, responde: "piada interna" =D
Semana que vem tem mais!
Antes de mais nada, deixem-me frisar que essa última temporada é toda do Terry O'Quinn. Ele é tão competente no que faz que até fisicamente diferentes são as duas personagens que ele interpreta, e sem qualquer tipo de maquiagem ou adereço. E digo mais, ambos totalmente díspares do Locke da ilha. O Locke de 2004 é uma pessoa bem mais plácida e madura do que sua contraparte que caiu com o vôo 815, e mesmo antes de vermos Helen em cena, a atuação de Terry já havia comunicado claramente essa diferença. Por outro lado, o monstro no corpo de Locke é assustador, ainda mais assustador do que o Locke da primeira temporada. Ele tem os olhos frios, calculistas, e com um rancor que genuinamente parece ter sido curtido por centenas de anos. E ainda assim, quando o misterioso menino loiro surge para confrontá-lo com a crueldade dos seus atos, ele responde com um já familiar "Não me diga o que não posso fazer" que, apesar de remeter ao dono do corpo que ele agora veste, tem sua base em um ódio infinito, não em uma frustração humana.
Outro destaque desse episódio foi a direção de Tucker Gates, diretor da tchurma do JJ que foi trazido de volta lááá da primeira temporada (quando dirigiu os excelentes "Confidence Man," "... In Translation" e "Born to Run" e desde então só havia voltado à série para dirigir o chatíssimo "I Do" na terceira temporada). Por mais que eu goste do Jack Bender, e eu gosto muito, é sempre bom quando algum diretor convidado injeta planos e tomadas mais ousados na série. Aquele vôo em primeira pessoa do Monstro de Fumaça pela ilha, por exemplo, é ao mesmo tempo assustador e empolgante. Discretamente dá ao telespectador um vislumbre do poder e da força do monstro, e da fúria com que ele vasculha a ilha atrás de seus alvos. Outra cena em que a direção se destaca é a cena em que Locke faz a entrevista de emprego, com planos desconfortáveis que me lembraram Kubrick.
Nesse episódio também pela primeira vez eu estava igualmente interessado nas duas realidades. De fato, no 2004 alternativo, uma das coisas que mais me chama a atenção é como todas as "reapresentações" entre personagens são boas. A cena entre Hurley e Locke foi ótima, dava pra ver claramente que os dois atores estavam se divertindo genuinamente. E como negar que Jorge Garcia também conseguiu fazer um Hurley confiante e patronizador bastante convincente? Para quem entrou na série fazendo papel de si mesmo, é um crescimento digno de nota.
E só pra chover no molhado mais um pouco, mesmo sem ter tido um grande momento na temporada até agora, Michael Emerson engole a cena do enterro do Locke de tal forma que até a piada do Lapidus soa totalmente fora de tom depois de suas palavras finais. Tenho certeza que no papel ela se encaixava bem, ninguém deveria imaginar que Emerson iria conseguir fazer o público chorar com uma fala de 15 segundos e um olhar tão carregado de emoções conflitantes quanto o sorriso da Mona Lisa.
Em termos de roteiro, "The Substitute" é primoroso. Na linha de tempo de 2004, é um dos melhores episódios Locke-centricos de toda a série, e a resignação com sua condição no final, e a aceitação da Helen, me marejou os olhos. E na linha de tempo de 2007, é um meta-episódio que tem a principal função de resgatar, pela quinta vez, o interesse do público na história depois de um hiato de meses (que é a razão pela qual existem pouquíssimas teleséries com arcos que ultrapassam os limites de uma temporada, coisa que Carlton Cuse e Damon Lindelof aprenderam a duras penas). Enquanto o público é (muito bem) representado por um Sawyer que já não tem mais paciência para a forma manjada da série apresentar seus mistérios - me senti libertado quando o Smokey diz que ele parece "pouco impressionado por falar com um morto" e ele diz que já tá cagando e andando pra essas coisas pseudochocantes -, o Flockezilla tem a função de nos ludibriar (ok, praticamente implorar) para voltarmos a querer saber afinal qual é a razão daquilo tudo. E no fim, depois de tentar nos seduzir com aparições, frases interrompidas, cenas de ação e jogos mentais olhando em nossos olhos, ainda nos dão um doce mostrando aqueles nomes riscados na pedra. E eu que tinha reclamado que não havia mais nada na ilha para ser descoberto, tive uma grata surpresa que chegou a remeter ao famoso e saudoso mapa na parede da escotilha (guardadas as proporções, claro). Por um momento, Lost voltou a ser aquela série que uns dementes (eu) ficavam dando pause e capturando tela pra analisar centímetro a centímetro cada pedaço de cena. E eu fui feliz.
Então ok, Damon, Cuse, vocês me convenceram a mais uma vez me envolver com a história de vocês. Não tenho grandes expectativas, mas as poucas que eu tenho, espero que vocês não decepcionem ao final. Por enquano, tá indo tudo muito bem.
E antes de ir, só para eleger como melhor cena do episódio aquela em que o Locke falso pega a pedra branca, analisa lentamente, depois a atira no mar e quando indagado por Sawyer o que foi aquilo, responde: "piada interna" =D
Semana que vem tem mais!
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
6x01-02 "LA X" / 6x03 "What Kate Does"
Lost é uma série misteriosa. Não apenas em seu enredo, mas também em sua capacidade de me cativar ou não. Antes do início da sexta e última temporada, o ponto aonde o quinto season finale havia nos deixado, aliado à decisão dos produtores de não revelarem absolutamente nada sobre o futuro da série até bem pouco antes da reestréia, criou em mim aquele efeito já conhecido dos fãs do primeiro Matrix - fiquei internamente teorizando sem qualquer material para me embasar, e consequentemente sem nada para me limitar. Além disso, a pesada autoreferência contida nas promos que usavam apenas cenas das temporadas anteriores me deixou pronto e ansioso para uma temporada que tivesse um climão amalgamado dos melhores momentos da primeira, segunda e quarta temporadas (as que têm as melhores atmosferas, na minha opinião). Daquela época em qua ainda não sabíamos de nada e cada novo episódio dava mais nós na nossa cabeça. Sim, eu sei que a maioria de vocês que reclamavam da falta de respostas naquela época hoje também se sentem órfãos da sensação, não precisam esconder. Aqueles eram os dias.
Pois bem. Quis o destino que o último season premiere duplo, "LA X," não me empolgasse o suficiente para me fazer escrever sobre. E no entanto, o terceiro episódio, "What Kate Does," que muita gente criticou por ser arrastado e sem ritmo, estranhamente me empolgou tanto que resolvi fazer uma crítica conjunta às 3 primeiras partes do fim da saga Lost. Então perdoem-me pelo tamanho do texto, pensem que são 3 episódios sendo analisados.
Nesses meses que separaram "The Incident" de "LA X," a questão primordial na cabeça dos fãs (ok, na minha) era saber se as previsões do saudoso Daniel Faraday estavam corretas e se a bomba realmente faria um reset na série. "LA X" já começou me fazendo "a-há" e revelando que os produtores mais uma vez tinham me feito de bobo. A bomba tanto funcionou quanto não funcionou, e agora eu estava vendo os dois resultados em paralelo. Tá, ok, Darlton, vocês me pegaram de novo. Claro que se alguém tivesse teorizado que "ei, a explosão funcionou mas não funcionou" antes da estréia, teria sido descartado imediatamente como absurdo. Mas essa decisão ousada, apesar de surpreendente, não deixa de ter consequências. Qual das realidades eu deveria estar seguindo? Qual a relevância de uma pra outra? Uma realidade aonde o vôo 815 nunca caiu é poética e cheia de significados, mas o que há pra se ver além do aeroporto? Uma das coisas que me incomodou na season premiere foi isso. Ao que parece, a realidade desses "Flash Sideways" tem lá suas coincidências e similaridades com a linha de tempo que acompanhamos por 5 anos, mas só essas pequenas estranhezas não foram suficientes para me deixar realmente interessado no desenrolar da trama naquela realidade. Nem as aparições de Boone, Charlie, Arzt, Neil e outros ex-cadáveres me fizeram nada, primeiro por (fourth wall, eu sei) saber que Ian Sommerhalder e Dominic Monaghan estão comprometidos com outras séries e portanto dificilmente vão aparecer de novo, segundo porque evidentemente senti falta de outros ex-sobreviventes (Shannon, Ana Lucia, Libby, Michael, Walt, Eko, até do Paulo e da Niki). Mesmo que aparecessem de relance, acho que teria sido a melhor season premiere do universo se eles tivessem de fato recomposto todo o vôo 815 e não apenas salpicado uma ou outra participação especial aqui e ali.
Por outro lado, na realidade "principal" (ou seja, a que continua a saga de onde ela parou), o que me incomodou um pouco foi que - a despeito do que o clima das promos me fez acreditar - não existem mais mistérios. O Templo, o último dos misteriosos locais da Ilha que ainda residia apenas no imaginário do público, foi revelado em grandes planos abertos logo no primeiro episódio. Isso me deixou um pouco melancólico - talvez por ter deixado crescer em mim um saudosismo da primeira temporada, graças às promos. Agora, a não ser que inventem alguma estação Dharma maluca no meio da temporada (duvido), já conhecemos a Ilha inteira. Não entendam mal, eu estou tão ansioso para ver o desfecho da batalha entre Esaú-Flockezilla e Jacob quanto qualquer um de vocês. Mas definitivamente, a temporada não terá nada de parecido com a primeira. E nem deveria ter, se pararmos para pensar. É o desfecho da história. Os movimentos finais do jogo. A hora de grandes e épicos confrontos, não de mistérios e sutilezas.
Passando por cima dessa sensação esvaziada que "LA X" me trouxe, tenho que ressaltar que a premiere tem seus grandes momentos. Em especial, o Adversário falando sobre Locke e a sua morte, foi bastante tocante, principalmente quando víamos alternadamente cenas do bom e velho (e paralítico) Locke na realidade alternativa, ostentando um orgulho quase sincero por ter feito o Walkabout. Todo mundo sabe que eu adoro Terry O'Quinn, mas a atuação dele em dois papéis nessa premiere estava arrasadora. Inclusive, é preciso dizer que Terry fazendo um vilão é algo tão delicioso que eu quase sinto raiva dos produtores por terem guardado esse papel para a reta final.
Outro que voltou com tudo em termos de atuação é Josh Holloway, a meu ver o ator que mais cresceu ao longo da série. Aliás, intercalar cenas dos personagens ainda no distante 2004 pré-queda com 2007 pós-merda-toda realmente faz sobressair a evolução de certos personagens (Sawyer, Locke) em contraste à mesmice de outros (Jack, Kate). Não acho que seja tudo culpa dos roteiristas, o trabalho de Josh e Terry tem grande participação nesse aspecto.
Nem preciso dizer que as interações dentro do avião e no aeroporto foram muito bem conduzidas e, por vezes, me trouxeram lágrimas aos olhos. A autoreferência em Lost é certeira, e a série nunca vira uma paródia de si mesma (bem, à exceção da terceira temporada, mas graças a deus isso são águas passadas). E Michael Giacchino sabe que seu trabalho com esses personagens e cenários está chegando ao fim, então não guarda áses na manga. Toda a trilha sonora de "LA X" é apoteótica em seu leitmotif.
Agora deixando a premiere de lado e finalmente chegando a "What Kate Does;" Talvez tenha sido a ausência da expectativa criada para a reestréia, mas o terceiro episódio remediou o que havia me incomodado a semana inteira: despertou um interesse sincero pela realidade paralela de 2004. Rombos de roteiro à parte (em que universo uma adolescente grávida recém-chegada num país estranho aceitaria uma carona oferecida pela mesma pessoa que sequestrou seu taxi horas antes botando uma arma em sua cara?), as similaridades bizarras entre as interações dos personagens em uma e outra realidade deixam de ser apenas um fanservice e passam a realmente encafifar o público. A hora em que Ethan aparece me deu um arrepio. E toda a história dele retardar o nascimento de Aaron com drogas ("Não quero espetar você com uma seringa sem seu consentimento." - O RLY Ethan?!) e o fato de Kate estar perto de Claire na hora do parto, enfim, eu realmente agora acho que tem algo de curioso ocorrendo com aquelas pessoas e quero saber o que é. Ainda não estou totalmente comprado, me falta um sinal de que aquilo tudo é ou será relevante para os Losties da realidade principal (só o "funcionou" de Juliet não me convenceu). Mas estou entretido, pelo menos.
E na ilha de 2007, apesar de não termos tido Flockezilla, tivemos mais cenas ótimas com Josh Holloway, e um pouco de mitologia. Aparentemente, o monstro de fumaça tem meios de reviver e corromper os corpos dos recém-falecidos da ilha, além de simplesmente tomar a forma deles. Se os Others são o exército de Jacob, montado através dos tempos com pessoas que eram atraídas para a ilha, o Monstro também reforça suas fileiras infectando os mortos. Ficou evidente, agora, que Claire morreu na explosão da casa em Otherville e que foi ressuscitada pelo Monstro, e lentamente corrompida até ser levada embora pela imagem de Christian. E Sayid, parece, terá o mesmo destino. Tenso!
Por outro lado, Jacob não é nada idiota, e sabia exatamente a equipe que estava montando quando reuiniu os Losties que precisava para reverter sua morte, fato evidenciado quando ele aparece para Hurley, que é "aberto" para a visita de espíritos. Porém, seu plano não está funcionando a contento, já que ele disse que Sayid tinha que sobreviver a qualquer custo, o que não ocorreu. Será que Jacob se lascou? Ou isso é só mais um movimento de peças por parte dele?
Quanto ao Dogan e sua turma, estou tentando superar o desconforto que sempre me acomete quando um personagem importante surge do nada no meio da história (se o Dogan é o manda-chuva dos Others do Templo, qual a relação hierárquica dele com Richard, ou mesmo com Ben? Ele não devia ter sido ao menos mencionado antes?). Mas fora isso, ganhei uma certa simpatia por ele na cena em que ele faz Jack desengolir a pílula de veneno. Só espero que ele comece a falar logo, porque nem eu tenho mais paciência para o discurso otheriano de falar pouco e dizer nada.
No final das contas, a sexta temporada de Lost pode não ter me pego pelas bolas logo de início, mas me capturou a contento. Não tenho reclamações a fazer do ritmo ou da forma como esse último ato se desacortina, mas espero que não demorem muito a amarrar as duas histórias que estamos assistindo. Ficarei mortalmente decepcionado se descobrir que a realidade alternativa de 2004, onde o avião não caiu, não faz qualquer diferença para a disputa milenar de poder entre as peças brancas e as peças negras, que se aproxima de um desfecho em 2007.
Agora é roer unhas por mais uma semana ;)
Pois bem. Quis o destino que o último season premiere duplo, "LA X," não me empolgasse o suficiente para me fazer escrever sobre. E no entanto, o terceiro episódio, "What Kate Does," que muita gente criticou por ser arrastado e sem ritmo, estranhamente me empolgou tanto que resolvi fazer uma crítica conjunta às 3 primeiras partes do fim da saga Lost. Então perdoem-me pelo tamanho do texto, pensem que são 3 episódios sendo analisados.
Nesses meses que separaram "The Incident" de "LA X," a questão primordial na cabeça dos fãs (ok, na minha) era saber se as previsões do saudoso Daniel Faraday estavam corretas e se a bomba realmente faria um reset na série. "LA X" já começou me fazendo "a-há" e revelando que os produtores mais uma vez tinham me feito de bobo. A bomba tanto funcionou quanto não funcionou, e agora eu estava vendo os dois resultados em paralelo. Tá, ok, Darlton, vocês me pegaram de novo. Claro que se alguém tivesse teorizado que "ei, a explosão funcionou mas não funcionou" antes da estréia, teria sido descartado imediatamente como absurdo. Mas essa decisão ousada, apesar de surpreendente, não deixa de ter consequências. Qual das realidades eu deveria estar seguindo? Qual a relevância de uma pra outra? Uma realidade aonde o vôo 815 nunca caiu é poética e cheia de significados, mas o que há pra se ver além do aeroporto? Uma das coisas que me incomodou na season premiere foi isso. Ao que parece, a realidade desses "Flash Sideways" tem lá suas coincidências e similaridades com a linha de tempo que acompanhamos por 5 anos, mas só essas pequenas estranhezas não foram suficientes para me deixar realmente interessado no desenrolar da trama naquela realidade. Nem as aparições de Boone, Charlie, Arzt, Neil e outros ex-cadáveres me fizeram nada, primeiro por (fourth wall, eu sei) saber que Ian Sommerhalder e Dominic Monaghan estão comprometidos com outras séries e portanto dificilmente vão aparecer de novo, segundo porque evidentemente senti falta de outros ex-sobreviventes (Shannon, Ana Lucia, Libby, Michael, Walt, Eko, até do Paulo e da Niki). Mesmo que aparecessem de relance, acho que teria sido a melhor season premiere do universo se eles tivessem de fato recomposto todo o vôo 815 e não apenas salpicado uma ou outra participação especial aqui e ali.
Por outro lado, na realidade "principal" (ou seja, a que continua a saga de onde ela parou), o que me incomodou um pouco foi que - a despeito do que o clima das promos me fez acreditar - não existem mais mistérios. O Templo, o último dos misteriosos locais da Ilha que ainda residia apenas no imaginário do público, foi revelado em grandes planos abertos logo no primeiro episódio. Isso me deixou um pouco melancólico - talvez por ter deixado crescer em mim um saudosismo da primeira temporada, graças às promos. Agora, a não ser que inventem alguma estação Dharma maluca no meio da temporada (duvido), já conhecemos a Ilha inteira. Não entendam mal, eu estou tão ansioso para ver o desfecho da batalha entre Esaú-Flockezilla e Jacob quanto qualquer um de vocês. Mas definitivamente, a temporada não terá nada de parecido com a primeira. E nem deveria ter, se pararmos para pensar. É o desfecho da história. Os movimentos finais do jogo. A hora de grandes e épicos confrontos, não de mistérios e sutilezas.
Passando por cima dessa sensação esvaziada que "LA X" me trouxe, tenho que ressaltar que a premiere tem seus grandes momentos. Em especial, o Adversário falando sobre Locke e a sua morte, foi bastante tocante, principalmente quando víamos alternadamente cenas do bom e velho (e paralítico) Locke na realidade alternativa, ostentando um orgulho quase sincero por ter feito o Walkabout. Todo mundo sabe que eu adoro Terry O'Quinn, mas a atuação dele em dois papéis nessa premiere estava arrasadora. Inclusive, é preciso dizer que Terry fazendo um vilão é algo tão delicioso que eu quase sinto raiva dos produtores por terem guardado esse papel para a reta final.
Outro que voltou com tudo em termos de atuação é Josh Holloway, a meu ver o ator que mais cresceu ao longo da série. Aliás, intercalar cenas dos personagens ainda no distante 2004 pré-queda com 2007 pós-merda-toda realmente faz sobressair a evolução de certos personagens (Sawyer, Locke) em contraste à mesmice de outros (Jack, Kate). Não acho que seja tudo culpa dos roteiristas, o trabalho de Josh e Terry tem grande participação nesse aspecto.
Nem preciso dizer que as interações dentro do avião e no aeroporto foram muito bem conduzidas e, por vezes, me trouxeram lágrimas aos olhos. A autoreferência em Lost é certeira, e a série nunca vira uma paródia de si mesma (bem, à exceção da terceira temporada, mas graças a deus isso são águas passadas). E Michael Giacchino sabe que seu trabalho com esses personagens e cenários está chegando ao fim, então não guarda áses na manga. Toda a trilha sonora de "LA X" é apoteótica em seu leitmotif.
Agora deixando a premiere de lado e finalmente chegando a "What Kate Does;" Talvez tenha sido a ausência da expectativa criada para a reestréia, mas o terceiro episódio remediou o que havia me incomodado a semana inteira: despertou um interesse sincero pela realidade paralela de 2004. Rombos de roteiro à parte (em que universo uma adolescente grávida recém-chegada num país estranho aceitaria uma carona oferecida pela mesma pessoa que sequestrou seu taxi horas antes botando uma arma em sua cara?), as similaridades bizarras entre as interações dos personagens em uma e outra realidade deixam de ser apenas um fanservice e passam a realmente encafifar o público. A hora em que Ethan aparece me deu um arrepio. E toda a história dele retardar o nascimento de Aaron com drogas ("Não quero espetar você com uma seringa sem seu consentimento." - O RLY Ethan?!) e o fato de Kate estar perto de Claire na hora do parto, enfim, eu realmente agora acho que tem algo de curioso ocorrendo com aquelas pessoas e quero saber o que é. Ainda não estou totalmente comprado, me falta um sinal de que aquilo tudo é ou será relevante para os Losties da realidade principal (só o "funcionou" de Juliet não me convenceu). Mas estou entretido, pelo menos.
E na ilha de 2007, apesar de não termos tido Flockezilla, tivemos mais cenas ótimas com Josh Holloway, e um pouco de mitologia. Aparentemente, o monstro de fumaça tem meios de reviver e corromper os corpos dos recém-falecidos da ilha, além de simplesmente tomar a forma deles. Se os Others são o exército de Jacob, montado através dos tempos com pessoas que eram atraídas para a ilha, o Monstro também reforça suas fileiras infectando os mortos. Ficou evidente, agora, que Claire morreu na explosão da casa em Otherville e que foi ressuscitada pelo Monstro, e lentamente corrompida até ser levada embora pela imagem de Christian. E Sayid, parece, terá o mesmo destino. Tenso!
Por outro lado, Jacob não é nada idiota, e sabia exatamente a equipe que estava montando quando reuiniu os Losties que precisava para reverter sua morte, fato evidenciado quando ele aparece para Hurley, que é "aberto" para a visita de espíritos. Porém, seu plano não está funcionando a contento, já que ele disse que Sayid tinha que sobreviver a qualquer custo, o que não ocorreu. Será que Jacob se lascou? Ou isso é só mais um movimento de peças por parte dele?
Quanto ao Dogan e sua turma, estou tentando superar o desconforto que sempre me acomete quando um personagem importante surge do nada no meio da história (se o Dogan é o manda-chuva dos Others do Templo, qual a relação hierárquica dele com Richard, ou mesmo com Ben? Ele não devia ter sido ao menos mencionado antes?). Mas fora isso, ganhei uma certa simpatia por ele na cena em que ele faz Jack desengolir a pílula de veneno. Só espero que ele comece a falar logo, porque nem eu tenho mais paciência para o discurso otheriano de falar pouco e dizer nada.
No final das contas, a sexta temporada de Lost pode não ter me pego pelas bolas logo de início, mas me capturou a contento. Não tenho reclamações a fazer do ritmo ou da forma como esse último ato se desacortina, mas espero que não demorem muito a amarrar as duas histórias que estamos assistindo. Ficarei mortalmente decepcionado se descobrir que a realidade alternativa de 2004, onde o avião não caiu, não faz qualquer diferença para a disputa milenar de poder entre as peças brancas e as peças negras, que se aproxima de um desfecho em 2007.
Agora é roer unhas por mais uma semana ;)
sexta-feira, 15 de maio de 2009
5x16-17 "The Incident"
É inevitável que o comentário sobre esse Season Finale se transforme num comentário sobre a temporada em si, mas vou tentar separar as análises para não me atropelar.
Antes de mais nada, a quinta temporada em si não foi tão boa quanto seu início prometia. Tanto é que eu nem tive muita vontade de comentar os episódios depois de "Life and Death of Jeremy Bentham," "Dead is Dead" à parte. Agora que a temporada já terminou e pode ser analisada como um todo, fica claro que os produtores não souberam como conduzir a história dos Losties na década de 70. Estabeleceram uma premissa ótima (a de Sawyer e cia. terem encontrado um lar entre os membros da Iniciativa Dharma), mas depois do retorno dos O6 parece que tudo descambou. Muitas bolas boas foram levantadas mas ninguém cortou. Em momento algum me senti envolvido pelo plot ridículo do Little Linus, Sayid tirou férias da série (o Naveen Andrews sempre esnoba tanto Lost que eu começo a querer que ele não volte para a sexta temporada, pelo menos não se for pra ficar atuando por telefone desse jeito), Jack ficou completamente ridículo, Kate foi totalmente apática (pra alguém que voltou pra procurar a Claire, ela fez algo nesse sentido o impressionante número de ZERO vezes desde que chegou). Sawyer e Juliet eram a única coisa que despertava meu interesse, mas só eles e o alívio cômico de Hurley e Miles não foram suficientes pra vencer o tédio que dominou o núcleo Dharmaville. As coisas começaram a melhorar com a volta do Faraday, mas já tava tão perto do fim que eu me forcei a esperar antes de voltar a comentar, pra não acabar mordendo minha língua.
Por outro lado, a história que REALMENTE empolgava, a ressurreição de Locke e a virada de mesa dele sobre Ben, foi administrada a conta-gotas. Acho que não custava nada ter balanceado as coisas, botado um pouco mais de enrolation no núcleo Ben-Locke e enxugado mais o núcleo Dharma. Não é como se eles não soubessem dar ritmo a uma temporada, a quarta foi excelente do início ao fim, claramente planejada. Essa quinta, nem tanto. Mas claro que ainda está anos-luz à frente da sofrível terceira temporada, que isso fique bem claro.
Agora. Lost tem uma característica muito engraçada, que eu sempre comento: os finales às vezes são tão diametralmente opostos, em termos de qualidade, ao resto da temporada que eu me sinto tentado a dar um shift neles e considerá-los parte da temporada seguinte. Não o da primeira, claro, que foi absolutamente linear e condizente com o resto, e nem o da quarta (segunda melhor temporada na minha opinião, lá em cima com a primeira), que foi o desfecho de um arco narrativo magistralmente conduzido. Mas os finales da segunda e da terceira temporadas são muito chocantemente diferentes do resto. O da segunda temporada foi uma decepção enorme para mim. Conseugiu praticamente destruir o que tinha potencial para ser a melhor temporada de todas. E por isso eu costumo fingir que ele é na verdade o season premiere da terceira temporada, que é aquele lixo que todos conhecemos. PORÉM, entretanto contudo, o season finale da terceira temporada é o MELHOR. FINALE. DA. HISTÓRIA. Não falo só de Lost, mas de todas as séries que eu assisto, e provavelmente de todas as que eu nunca assisti também. A terceira temporada foi pegando fôlego da metade em diante, mas nada que justificasse um episódio tão bom. Por essa razão, eu considero o finale da 3a como o season premiere da 4a temporada.
Pois bem. Ainda não sei como será a sexta (e última) temporada de Lost, mas já estou totalmente inclinado a considerar o 5x16/17 como parte dela. E não apenas porque é um episódio que, a exemplo do finale da 3a temporada, modifica COMPLETAMENTE o assunto da série - e de um modo positivo, acrescento! - como também porque a cena inicial dele é melhor do que qualquer cena incial de temporada até hoje. A cena entre Jacob e - posso explanar? Ninguém ainda pescou? - seu irmão Esaú sentados na praia, observando a chegada do Black Rock... aquele diálogo sobre Esaú odiar Jacob e precisar desesperadamente matá-lo, a noção implícita de que ele não pode fazê-lo diretamente (reforçada pela menção ao loophole, literalmente uma brecha na lei, nas cenas finais), todas as peças se encaixando. "Deus ama você como amou Jacó." COMO ninguém cantou essa bola naquela época distante de 2007? Como os produtores conseguiram fazer esse "a-há!" mesmo com a série sendo constantemente analisada e esmiuçada por milhões de cérebros ao redor do mundo?
Eu digo como. Um truque sujo. Eles convenientemente nunca insinuaram, nem de muito leve, que havia outra entidade na ilha além de Jacob. A guerra milenar entre eles dois foi referenciada de forma que TODOS pensassem ser uma guerra entre Widmore e Linus, que agora percebemos serem apenas capangas disputando o middle management. É um truque que eu sempre soube que iria rolar - na verdade, TORCIA para rolar, porque essa é a única forma de fazer uma revelação chocante em um mistério que todo mundo já revirou e re-revirou, definir uma peça do quebra-cabeças que, retirada do lugar, inviabiliza totalmente o encaixe das outras, e só entregá-la na última cena. Damon, Carlton, desculpem por eu ter duvidado de vocês. Vocês sabem o que fazem, no fim das contas!
De fato, "The Incident" é o primeiro episódio em muito - MUITO - tempo, em que eu senti que as revelações não foram inventadas na última reunião de roteiristas. A quarta temporada havia recuperado minha fé em Lost como obra de entretenimento, mas foi esse episódio que recuperou também minha fé na série como um mistério coeso. Tudo isso havia ido por água abaixo no fim da segunda temporada. Agora, eu estou até teorizando - alguém me interne! E sim, eu tenho plena consciência que os mesmos elementos que me fizeram pirar nesse season finale vão fazer muita gente abandonar a série, com o mesmo ódio que eu senti no fim da segunda temporada. Mas todo mundo sabia que a revelação final do que está em jogo alienaria muita gente, porque cada um tem a sua história própria na cabeça. Eu, por exemplo, reviro os olhos à idéia de uma força magnética que parte avião (de alumínio) no meio sem engolir todas as outras coisas de metal num raio de kilometros antes... mas com todo bom nerd de quadrinhos (coisa que Damon Lindelof também é, e esse finale é a prova disso), eu tenho por lei que releitura de mitologia do velho testamento, muito como molho Shoyu, deixa TUDO mais gostoso =P Então me perdoem os que ainda tinham esperança de uma explicação lógica e científica. Chorarei uma única lágrima de solidarieadade a vocês, mas vou continuar achando Lost ainda mais foda por ter seguido o caminho que seguiu.
1180 palavras digitadas já, e eu ainda não saí da primeira cena! Mas tudo bem, porque essa cena é praticamente todo um episódio - talvez toda uma série - contida em si, a análise do resto não vai ser tão esforçada, prometo.
Existem três histórias sendo contadas em "The Incident." A primeira, a mais importante e chocante, é sobre Esaú e Jacó. A história de Esaú fica subentendida, cabe ao telespectador revisitar cada aparição, cada fantasma, cada manipulação dos últimos 5 anos e descobrir o que era picuinha Ben/Charles e o que era parte do esquema mirabolante de Esaú para escapar de sua prisão de cinzas (tô chutando aqui, ok, pode não ser isso mas eu tenho muita fé que era ele preso na cabana, ele que pediu socorro ao Locke, ele que encarnou o Walt fantasma e levou o careca a sacrificar seu corpo para tomar seu lugar). Mas aí temos Jacob, fazendo sua lista. Jacob escolhendo, a dedo, quem seriam seus salvadores, sua apólice de seguros. As pessoas que iriam ao passado reverter toda a zica e impedir que seu irmão desse cabo de sua vida. Há quanto tempo eles jogam essa partida de xadrez com os mortais? Se tem algo que eu acredito que será o tema central da sexta temporada, é esse embate eterno, quais são suas regras, como Esaú as burlou, e como Jacob escapou de rodar. E, principalmente, o que ele vai fazer sobre o assunto.
Aliás, no fim das contas Christian não era mesmo Jacob. Christian, como todos os outros cadáveres da ilha, era Esaú fazendo seu mindfuck cuidadosamente calculado, em todos os others, losties E telespectadores. Isso é o quão bom foi a reviravolta guardada por Darlton para esse finale - horas depois, tendo dormido e acordado sobre o assunto, ainda ficam surgindo estalos na minha cabeça conforme o quadro geral vai sendo montado.
A segunda história, o desfecho do plano de Esaú, é assustadora simplesmente porque, pela primeira vez na vida, eu tive MUITA PENA de Benjamin Linus. Ele pode ser o maior e melhor manipulador filho da puta desse mundo, mas ali, sob a sombra da estátua, ele está sendo um joguete patético de duas entidades muito, muito superiores a ele. Ele é uma ferramenta. E o ódio dele, ao final, é mais do que justificado. Claro, ele poderia ter parado 5 minutos para avaliar a loucura de tudo aquilo, mas ele já estava quebrado. A "ressurreição" de Locke, a Alex, as feridas cruelmente reabertas... Benjamin Linus é apenas humano. E, como um bom humano, ele seguiu o destino traçado para ele, mesmo sem saber as intenções de quem o traçou. Ben é a verdadeira vítima de Lost.
Já a terceira história, de como a função do retorno dos O6 era, na verdade, para salvar a vida de Jacob, foi a que menos me convneceu. Não que eu não ache maravilhosa a forma como ele foi tocando cada um (mais o Sawyer), em diferentes partes da vida, para que tudo convergisse naquele momento crucial. O que eu não engoli mesmo foi como Jack Shepherd, cirurgião juramentado, com uma tendência irreversível de querer proteger e consertar tudo e todos, resolve explodir um dispositivo termonuclear de um impulso porque... tá com dor de corno?! Agora, subitamente, a falta que ele sente da Kate justifica um possível genocídio porque um físico maluco disse que TALVEZ isso apague o que eles viveram juntos (ou senão, pelo menos morre todo mundo e acaba a cornitude)? É como "Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças," com tiros e explosões nucleares. E sem a sensibilidade - ou o sentido - do filme, claro. Pra piorar, eis que logo a Juliet resolve reforçar essa idéia porque teve uma crise de baixa auto-estima ao ver Sawyer e Kate brincando de dupla dinâmica. Jules, pelamor! Meus pais também são separados e eu nunca quis matar / apagar a existência de ninguém porque a relação não deu certo, vai? Menos, bem menos!
Mas enfim. Reconheço que o quadrângulo amoroso pode ter sido também alimentado pelas manipulações de Jacob para garantir que todos estivessem na merda e sem nada a perder quando chegasse a hora de transformar o plano maluco em realidade. E o quão esquisito é o fato de a única voz da razão em tudo isso ser... Sawyer?!
No fim das contas, muito do que eu estou conjecturando aqui é somente isso, uma conjectura. Os produtores e roteiristas quiseram deliberadamente nos deixar por um ano sem a MENOR idéia do que vai acontecer. Mas eles deram pistas. A melhor, pra mim, é a dada nos créditos iniciais, em que a autoria do roteiro é dada separadamente para a primeira e segunda partes, sendo a parte 1 escrita por "Damon Lindelof e Carlton Cuse" e a parte 2 por "Carlton Cuse e Damon Lindelof." Piada sem sentido, ou uma indicação de que as coisas agora estão no reverso, e que tudo será efetivamente desfeito? Fico com a segunda opção, até porque Darlton já tinham avisado que a sexta temporada "destruiria tudo que a quinta construiu." Mas ainda tem 16 episódios pela frente, e caso o plano de Jacob tenha dado certo e seu assassinato tenha sido apagado, o que restaria para contar? Um ou dois episódios de recapitulações, flashbacks e explicações minuciosas pros telespectadores mais "lentos" dariam conta do recado.
Eu tenho um palpite - um chute, mesmo - de que Desmond, que esteve tão sumido nessa temporada, será uma peça chave da sexta temporada. Talvez ele seja a única pessoa que se lembra do que aconteceu nessa linha de tempo, e vá ser ele o responsável por caçar os Losties e contá-los dessa vida alternativa que eles levaram. Agora, por que ele faria isso, eu não sei. Confesso que estou no escuro quanto ao gancho motivador da última temporada. Talvez Jacob queira virar o jogo e se livrar de Esaú para sempre? Ou talvez ainda falte alguma coisa para que o destino daquela ilha, como ele divisou, seja cumprido. Não sei mesmo. Estou tão no escuro quanto cada um de vocês. E sempre tem a possibilidade de nos sacanearem, a bomba ter explodido e não alterado nada, todo mundo que morreu ter morrido mesmo, e agora Esaú ter uma agenda maligna a cumprir sem a sombra do irmão mais novo. Eu pessoalmente acho essa opção muito pós-apocalíptica, mas se for assim, beleza também. Estou disposto a aceitar o que os produtores quiserem me oferecer. Confio neles, outra vez. Quem fez o que eles fizeram nesse episódio, certamente tem bala na agulha para finalizar a saga.
Mas continuo secretamente torcendo para que a primeira cena da sexta temporada seja o olho de Juliet, pelada no meio do mato. Ei, aconteceu com o Desmond da última vez que deu um clarão na Cisne. É apenas justo =P
FIM! Arre. Quase uma tese de mestrado. Pelo menos vou ter 1 ano inteiro pra recarregar as baterias =P
Antes de mais nada, a quinta temporada em si não foi tão boa quanto seu início prometia. Tanto é que eu nem tive muita vontade de comentar os episódios depois de "Life and Death of Jeremy Bentham," "Dead is Dead" à parte. Agora que a temporada já terminou e pode ser analisada como um todo, fica claro que os produtores não souberam como conduzir a história dos Losties na década de 70. Estabeleceram uma premissa ótima (a de Sawyer e cia. terem encontrado um lar entre os membros da Iniciativa Dharma), mas depois do retorno dos O6 parece que tudo descambou. Muitas bolas boas foram levantadas mas ninguém cortou. Em momento algum me senti envolvido pelo plot ridículo do Little Linus, Sayid tirou férias da série (o Naveen Andrews sempre esnoba tanto Lost que eu começo a querer que ele não volte para a sexta temporada, pelo menos não se for pra ficar atuando por telefone desse jeito), Jack ficou completamente ridículo, Kate foi totalmente apática (pra alguém que voltou pra procurar a Claire, ela fez algo nesse sentido o impressionante número de ZERO vezes desde que chegou). Sawyer e Juliet eram a única coisa que despertava meu interesse, mas só eles e o alívio cômico de Hurley e Miles não foram suficientes pra vencer o tédio que dominou o núcleo Dharmaville. As coisas começaram a melhorar com a volta do Faraday, mas já tava tão perto do fim que eu me forcei a esperar antes de voltar a comentar, pra não acabar mordendo minha língua.
Por outro lado, a história que REALMENTE empolgava, a ressurreição de Locke e a virada de mesa dele sobre Ben, foi administrada a conta-gotas. Acho que não custava nada ter balanceado as coisas, botado um pouco mais de enrolation no núcleo Ben-Locke e enxugado mais o núcleo Dharma. Não é como se eles não soubessem dar ritmo a uma temporada, a quarta foi excelente do início ao fim, claramente planejada. Essa quinta, nem tanto. Mas claro que ainda está anos-luz à frente da sofrível terceira temporada, que isso fique bem claro.
Agora. Lost tem uma característica muito engraçada, que eu sempre comento: os finales às vezes são tão diametralmente opostos, em termos de qualidade, ao resto da temporada que eu me sinto tentado a dar um shift neles e considerá-los parte da temporada seguinte. Não o da primeira, claro, que foi absolutamente linear e condizente com o resto, e nem o da quarta (segunda melhor temporada na minha opinião, lá em cima com a primeira), que foi o desfecho de um arco narrativo magistralmente conduzido. Mas os finales da segunda e da terceira temporadas são muito chocantemente diferentes do resto. O da segunda temporada foi uma decepção enorme para mim. Conseugiu praticamente destruir o que tinha potencial para ser a melhor temporada de todas. E por isso eu costumo fingir que ele é na verdade o season premiere da terceira temporada, que é aquele lixo que todos conhecemos. PORÉM, entretanto contudo, o season finale da terceira temporada é o MELHOR. FINALE. DA. HISTÓRIA. Não falo só de Lost, mas de todas as séries que eu assisto, e provavelmente de todas as que eu nunca assisti também. A terceira temporada foi pegando fôlego da metade em diante, mas nada que justificasse um episódio tão bom. Por essa razão, eu considero o finale da 3a como o season premiere da 4a temporada.
Pois bem. Ainda não sei como será a sexta (e última) temporada de Lost, mas já estou totalmente inclinado a considerar o 5x16/17 como parte dela. E não apenas porque é um episódio que, a exemplo do finale da 3a temporada, modifica COMPLETAMENTE o assunto da série - e de um modo positivo, acrescento! - como também porque a cena inicial dele é melhor do que qualquer cena incial de temporada até hoje. A cena entre Jacob e - posso explanar? Ninguém ainda pescou? - seu irmão Esaú sentados na praia, observando a chegada do Black Rock... aquele diálogo sobre Esaú odiar Jacob e precisar desesperadamente matá-lo, a noção implícita de que ele não pode fazê-lo diretamente (reforçada pela menção ao loophole, literalmente uma brecha na lei, nas cenas finais), todas as peças se encaixando. "Deus ama você como amou Jacó." COMO ninguém cantou essa bola naquela época distante de 2007? Como os produtores conseguiram fazer esse "a-há!" mesmo com a série sendo constantemente analisada e esmiuçada por milhões de cérebros ao redor do mundo?
Eu digo como. Um truque sujo. Eles convenientemente nunca insinuaram, nem de muito leve, que havia outra entidade na ilha além de Jacob. A guerra milenar entre eles dois foi referenciada de forma que TODOS pensassem ser uma guerra entre Widmore e Linus, que agora percebemos serem apenas capangas disputando o middle management. É um truque que eu sempre soube que iria rolar - na verdade, TORCIA para rolar, porque essa é a única forma de fazer uma revelação chocante em um mistério que todo mundo já revirou e re-revirou, definir uma peça do quebra-cabeças que, retirada do lugar, inviabiliza totalmente o encaixe das outras, e só entregá-la na última cena. Damon, Carlton, desculpem por eu ter duvidado de vocês. Vocês sabem o que fazem, no fim das contas!
De fato, "The Incident" é o primeiro episódio em muito - MUITO - tempo, em que eu senti que as revelações não foram inventadas na última reunião de roteiristas. A quarta temporada havia recuperado minha fé em Lost como obra de entretenimento, mas foi esse episódio que recuperou também minha fé na série como um mistério coeso. Tudo isso havia ido por água abaixo no fim da segunda temporada. Agora, eu estou até teorizando - alguém me interne! E sim, eu tenho plena consciência que os mesmos elementos que me fizeram pirar nesse season finale vão fazer muita gente abandonar a série, com o mesmo ódio que eu senti no fim da segunda temporada. Mas todo mundo sabia que a revelação final do que está em jogo alienaria muita gente, porque cada um tem a sua história própria na cabeça. Eu, por exemplo, reviro os olhos à idéia de uma força magnética que parte avião (de alumínio) no meio sem engolir todas as outras coisas de metal num raio de kilometros antes... mas com todo bom nerd de quadrinhos (coisa que Damon Lindelof também é, e esse finale é a prova disso), eu tenho por lei que releitura de mitologia do velho testamento, muito como molho Shoyu, deixa TUDO mais gostoso =P Então me perdoem os que ainda tinham esperança de uma explicação lógica e científica. Chorarei uma única lágrima de solidarieadade a vocês, mas vou continuar achando Lost ainda mais foda por ter seguido o caminho que seguiu.
1180 palavras digitadas já, e eu ainda não saí da primeira cena! Mas tudo bem, porque essa cena é praticamente todo um episódio - talvez toda uma série - contida em si, a análise do resto não vai ser tão esforçada, prometo.
Existem três histórias sendo contadas em "The Incident." A primeira, a mais importante e chocante, é sobre Esaú e Jacó. A história de Esaú fica subentendida, cabe ao telespectador revisitar cada aparição, cada fantasma, cada manipulação dos últimos 5 anos e descobrir o que era picuinha Ben/Charles e o que era parte do esquema mirabolante de Esaú para escapar de sua prisão de cinzas (tô chutando aqui, ok, pode não ser isso mas eu tenho muita fé que era ele preso na cabana, ele que pediu socorro ao Locke, ele que encarnou o Walt fantasma e levou o careca a sacrificar seu corpo para tomar seu lugar). Mas aí temos Jacob, fazendo sua lista. Jacob escolhendo, a dedo, quem seriam seus salvadores, sua apólice de seguros. As pessoas que iriam ao passado reverter toda a zica e impedir que seu irmão desse cabo de sua vida. Há quanto tempo eles jogam essa partida de xadrez com os mortais? Se tem algo que eu acredito que será o tema central da sexta temporada, é esse embate eterno, quais são suas regras, como Esaú as burlou, e como Jacob escapou de rodar. E, principalmente, o que ele vai fazer sobre o assunto.
Aliás, no fim das contas Christian não era mesmo Jacob. Christian, como todos os outros cadáveres da ilha, era Esaú fazendo seu mindfuck cuidadosamente calculado, em todos os others, losties E telespectadores. Isso é o quão bom foi a reviravolta guardada por Darlton para esse finale - horas depois, tendo dormido e acordado sobre o assunto, ainda ficam surgindo estalos na minha cabeça conforme o quadro geral vai sendo montado.
A segunda história, o desfecho do plano de Esaú, é assustadora simplesmente porque, pela primeira vez na vida, eu tive MUITA PENA de Benjamin Linus. Ele pode ser o maior e melhor manipulador filho da puta desse mundo, mas ali, sob a sombra da estátua, ele está sendo um joguete patético de duas entidades muito, muito superiores a ele. Ele é uma ferramenta. E o ódio dele, ao final, é mais do que justificado. Claro, ele poderia ter parado 5 minutos para avaliar a loucura de tudo aquilo, mas ele já estava quebrado. A "ressurreição" de Locke, a Alex, as feridas cruelmente reabertas... Benjamin Linus é apenas humano. E, como um bom humano, ele seguiu o destino traçado para ele, mesmo sem saber as intenções de quem o traçou. Ben é a verdadeira vítima de Lost.
Já a terceira história, de como a função do retorno dos O6 era, na verdade, para salvar a vida de Jacob, foi a que menos me convneceu. Não que eu não ache maravilhosa a forma como ele foi tocando cada um (mais o Sawyer), em diferentes partes da vida, para que tudo convergisse naquele momento crucial. O que eu não engoli mesmo foi como Jack Shepherd, cirurgião juramentado, com uma tendência irreversível de querer proteger e consertar tudo e todos, resolve explodir um dispositivo termonuclear de um impulso porque... tá com dor de corno?! Agora, subitamente, a falta que ele sente da Kate justifica um possível genocídio porque um físico maluco disse que TALVEZ isso apague o que eles viveram juntos (ou senão, pelo menos morre todo mundo e acaba a cornitude)? É como "Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças," com tiros e explosões nucleares. E sem a sensibilidade - ou o sentido - do filme, claro. Pra piorar, eis que logo a Juliet resolve reforçar essa idéia porque teve uma crise de baixa auto-estima ao ver Sawyer e Kate brincando de dupla dinâmica. Jules, pelamor! Meus pais também são separados e eu nunca quis matar / apagar a existência de ninguém porque a relação não deu certo, vai? Menos, bem menos!
Mas enfim. Reconheço que o quadrângulo amoroso pode ter sido também alimentado pelas manipulações de Jacob para garantir que todos estivessem na merda e sem nada a perder quando chegasse a hora de transformar o plano maluco em realidade. E o quão esquisito é o fato de a única voz da razão em tudo isso ser... Sawyer?!
No fim das contas, muito do que eu estou conjecturando aqui é somente isso, uma conjectura. Os produtores e roteiristas quiseram deliberadamente nos deixar por um ano sem a MENOR idéia do que vai acontecer. Mas eles deram pistas. A melhor, pra mim, é a dada nos créditos iniciais, em que a autoria do roteiro é dada separadamente para a primeira e segunda partes, sendo a parte 1 escrita por "Damon Lindelof e Carlton Cuse" e a parte 2 por "Carlton Cuse e Damon Lindelof." Piada sem sentido, ou uma indicação de que as coisas agora estão no reverso, e que tudo será efetivamente desfeito? Fico com a segunda opção, até porque Darlton já tinham avisado que a sexta temporada "destruiria tudo que a quinta construiu." Mas ainda tem 16 episódios pela frente, e caso o plano de Jacob tenha dado certo e seu assassinato tenha sido apagado, o que restaria para contar? Um ou dois episódios de recapitulações, flashbacks e explicações minuciosas pros telespectadores mais "lentos" dariam conta do recado.
Eu tenho um palpite - um chute, mesmo - de que Desmond, que esteve tão sumido nessa temporada, será uma peça chave da sexta temporada. Talvez ele seja a única pessoa que se lembra do que aconteceu nessa linha de tempo, e vá ser ele o responsável por caçar os Losties e contá-los dessa vida alternativa que eles levaram. Agora, por que ele faria isso, eu não sei. Confesso que estou no escuro quanto ao gancho motivador da última temporada. Talvez Jacob queira virar o jogo e se livrar de Esaú para sempre? Ou talvez ainda falte alguma coisa para que o destino daquela ilha, como ele divisou, seja cumprido. Não sei mesmo. Estou tão no escuro quanto cada um de vocês. E sempre tem a possibilidade de nos sacanearem, a bomba ter explodido e não alterado nada, todo mundo que morreu ter morrido mesmo, e agora Esaú ter uma agenda maligna a cumprir sem a sombra do irmão mais novo. Eu pessoalmente acho essa opção muito pós-apocalíptica, mas se for assim, beleza também. Estou disposto a aceitar o que os produtores quiserem me oferecer. Confio neles, outra vez. Quem fez o que eles fizeram nesse episódio, certamente tem bala na agulha para finalizar a saga.
Mas continuo secretamente torcendo para que a primeira cena da sexta temporada seja o olho de Juliet, pelada no meio do mato. Ei, aconteceu com o Desmond da última vez que deu um clarão na Cisne. É apenas justo =P
FIM! Arre. Quase uma tese de mestrado. Pelo menos vou ter 1 ano inteiro pra recarregar as baterias =P
sexta-feira, 10 de abril de 2009
5x12 "Dead is Dead"
E finalmente, depois de dois episódios dormíveis, a quinta temporada de Lost volta a engrenar. "Dead is Dead" pode não ter sido um episódio para marcar as gerações futuras, mas foi um excelente episódio. Excelente e, o que é melhor, eficiente! A minha sensação de que a temporada estava estolando depois do retorno dos O6, com aquele blablabla de cada um descobrindo por que voltou, foi instantaneamente desfeita e substituída por empolgação pela reta final da temporada. E o melhor de tudo foi ver que, mesmo com tantas coisas para enfiar em um episódio, os roteiristas Brian K. Vaughan e Elizabeth Sarnoff conseguiram imprimir um ritmo natural para as cenas, sem atropelar tudo em 5 minutos de projeção como muitas vezes acontece.
No começo do episódio, ainda desanimado pelos dois que o precederam, eu nem estava me empolgando muito. Claro, teve a volta das perucas ridículas (um marco da primeira temporada), teve aquele Widmore quarentão (cujo ator é TÃO parecido com o Alan Dale que quando ele revelou quem era pareceu até que estava repetindo o óbvio. Onde eles encontram esses sósias, minha gente?), e teve mais uma chance de ver a Rousseau delicinha de 16 anos atrás. Mas o 5x12 ainda não tinha prendido minha atenção até o momento em que descrevo abaixo:
(Eu): ¬_¬
(Ben): - Você está procurando isso? *blam*
(Eu): O_____O
Daí pra frente, foi tensão e suspense o resto do tempo de exibição. E foi glorioso ver o Ben pego completamente de surpresa pelo retorno do John, e o John fazendo ele comer o pão que o diabo amassou, de propósito. Aliás, esse episódio me deixou com a pulga atrás da orelha: o Locke ressuscitou mesmo, ou estamos vendo alguma outra manifestação da ilha, que pensa ser John Locke mas na verdade é... outra coisa? (ou talvez seja porque eu recentemente vi Battlestar Galactica inteiro e, bem, quem viu sabe)
Muitos momentos bons pra se destacar no episódio. Aquela tensão horrorosa e maravilhosa da cena de Ben no cais (e se eu fosse o Desmond só comprava comida enlatada pelo resto da vida depois dessa, hein?), a revelação de que a Ilana não é apenas uma caçadora de recompensas gostosa, é também aparentemente uma cultista gostosa ou coisa parecida (gostosa), e que talvez represente mais um grupo de interessados na ilha - além de Widmore, Ben, e da iniciativa Dharma, se é que sobrou alguém dela pra contar história.
Aliás, uma coisa que foi mostrada de forma bastante sutil, foi que Widmore não é o chefão da Dharma afinal. Ele ainda estava na ilha, vivendo no mato e sendo líder dos Others em 1988, ano em que Ben raptou a Alex dos braços da mãe. Isso reabre espaço na série para explorarem a história do casal DeGroot e a família Hanso, cujo ancestral Magnus era comandante do Black Rock inclusive. Sei que em momento algum foi dito que a Fundação Hanso era só um braço das indústrias Widmore, mas com certeza tinham tentado dar essa impressão no passado.
E mesmo sem ter explicado qualquer coisa sobre o Fumacinha ("explicado" em termos Hurley-Miles, se é que vocês me entendem), o episódio não deixa dúvidas de que as aparições de pessoas mortas são responsabilidade única e exclusiva dele. E também recupera o papel que ele desempenhava nas primeiras temporadas, de julgar quem deve viver e quem deve morrer. Francamente, eu estou muito satisfeito em ter visto o lar da fera e espero que os produtores não incorram no erro de tentar explicar detalhada e cientificamente a composição de uma criatura que, além de se manifestar como uma nuvem preta que emite eletricidade, faz som de aparato mecânico, lê (e projeta!) memórias das pessoas, e pra completar está na área desde a antiguidade, como mostra o desenho de Anúbis batendo um lero com ele na parede do templo subterrâneo.
Aliás, um parêntese deve ser feito aqui para registrar a genialidade do Stephen Williams (eu escrevi isso mesmo? putz) ao filmar a cena em que a Alexzilla dá uma descompostura no Ben. Ele conseguiu, só com a iluminação da cena, fazer com que a linda Tania Raymonde virasse O CÃO CHUPANDO MANGA DO AVESSO. Sério, MUITO MEDO dela naquela cena, pqp! Sou obrigado a tirar meu chapéu.
Enfim. Estou novamente empolgado. Estou satisfeitíssimo em ver Ben sendo colocado em seu lugar, e estou muito, muito curioso para saber por que tanto o monstro quanto o Jacob acham Locke tão importante para o futuro. E esperando para ver se Benjamin vai aceitar virar um mero apóstolo. Minha aposta? Nem fudendo =P
No começo do episódio, ainda desanimado pelos dois que o precederam, eu nem estava me empolgando muito. Claro, teve a volta das perucas ridículas (um marco da primeira temporada), teve aquele Widmore quarentão (cujo ator é TÃO parecido com o Alan Dale que quando ele revelou quem era pareceu até que estava repetindo o óbvio. Onde eles encontram esses sósias, minha gente?), e teve mais uma chance de ver a Rousseau delicinha de 16 anos atrás. Mas o 5x12 ainda não tinha prendido minha atenção até o momento em que descrevo abaixo:
(Eu): ¬_¬
(Ben): - Você está procurando isso? *blam*
(Eu): O_____O
Daí pra frente, foi tensão e suspense o resto do tempo de exibição. E foi glorioso ver o Ben pego completamente de surpresa pelo retorno do John, e o John fazendo ele comer o pão que o diabo amassou, de propósito. Aliás, esse episódio me deixou com a pulga atrás da orelha: o Locke ressuscitou mesmo, ou estamos vendo alguma outra manifestação da ilha, que pensa ser John Locke mas na verdade é... outra coisa? (ou talvez seja porque eu recentemente vi Battlestar Galactica inteiro e, bem, quem viu sabe)
Muitos momentos bons pra se destacar no episódio. Aquela tensão horrorosa e maravilhosa da cena de Ben no cais (e se eu fosse o Desmond só comprava comida enlatada pelo resto da vida depois dessa, hein?), a revelação de que a Ilana não é apenas uma caçadora de recompensas gostosa, é também aparentemente uma cultista gostosa ou coisa parecida (gostosa), e que talvez represente mais um grupo de interessados na ilha - além de Widmore, Ben, e da iniciativa Dharma, se é que sobrou alguém dela pra contar história.
Aliás, uma coisa que foi mostrada de forma bastante sutil, foi que Widmore não é o chefão da Dharma afinal. Ele ainda estava na ilha, vivendo no mato e sendo líder dos Others em 1988, ano em que Ben raptou a Alex dos braços da mãe. Isso reabre espaço na série para explorarem a história do casal DeGroot e a família Hanso, cujo ancestral Magnus era comandante do Black Rock inclusive. Sei que em momento algum foi dito que a Fundação Hanso era só um braço das indústrias Widmore, mas com certeza tinham tentado dar essa impressão no passado.
E mesmo sem ter explicado qualquer coisa sobre o Fumacinha ("explicado" em termos Hurley-Miles, se é que vocês me entendem), o episódio não deixa dúvidas de que as aparições de pessoas mortas são responsabilidade única e exclusiva dele. E também recupera o papel que ele desempenhava nas primeiras temporadas, de julgar quem deve viver e quem deve morrer. Francamente, eu estou muito satisfeito em ter visto o lar da fera e espero que os produtores não incorram no erro de tentar explicar detalhada e cientificamente a composição de uma criatura que, além de se manifestar como uma nuvem preta que emite eletricidade, faz som de aparato mecânico, lê (e projeta!) memórias das pessoas, e pra completar está na área desde a antiguidade, como mostra o desenho de Anúbis batendo um lero com ele na parede do templo subterrâneo.
Aliás, um parêntese deve ser feito aqui para registrar a genialidade do Stephen Williams (eu escrevi isso mesmo? putz) ao filmar a cena em que a Alexzilla dá uma descompostura no Ben. Ele conseguiu, só com a iluminação da cena, fazer com que a linda Tania Raymonde virasse O CÃO CHUPANDO MANGA DO AVESSO. Sério, MUITO MEDO dela naquela cena, pqp! Sou obrigado a tirar meu chapéu.
Enfim. Estou novamente empolgado. Estou satisfeitíssimo em ver Ben sendo colocado em seu lugar, e estou muito, muito curioso para saber por que tanto o monstro quanto o Jacob acham Locke tão importante para o futuro. E esperando para ver se Benjamin vai aceitar virar um mero apóstolo. Minha aposta? Nem fudendo =P
sexta-feira, 3 de abril de 2009
5x11 "Whatever Happened, Happened"
*Yawn*
Não sei o que houve com Lost, mas nas duas últimas semanas eu realmente estou me segurando para não dormir nos episódios. Semana passada eu nem me dignei a comentar o episódio - chato, chato, chato, clichè até o fim da vida, com um final pseudo-bombástico desses que a gente tem certeza que vão ser desfeitos no primeiro minuto do episódio seguinte. Coisa que sempre detesto quando colocam na série. Pelo menos foram poucas.
"Whatever Happened, Happened" é, acima de tudo, um episódio previsível. Ele continua o processo iniciado no episódio anterior de mostrar o que aconteceu com cada um dos O-6 entre o momento da separação nas docas e o momento de embarcar no avião da Ajira, e, tal qual em "He's Our You," as cenas que completam os vácuos de "316" deixam a desejar. Sayid caindo num truque mais velho que andar pra frente e sendo preso por uma caçadora de recompensas que representa um dos sujeitos que ele matou - que trabalhava pra Widmore - mas ao mesmo tempo não tem nada a ver com Widmore ou Ben? Fraco. Kate entregando Aaron para a avó e fazendo uma promessa de que vai trazer Claire de volta? Ok, mas não explica por que ela foi dar pro Jack logo em seguida.
Aliás, vemos que apesar de ter sido a primeira a endossar o plano de Jack de mentir para o mundo, a fofoqueira da Kate não aguentou meio mês e já tinha contado a história toda - 4 temporadas mais os extras do DVD - pra doce e super confiável Cassidy. E de lambuja, desenrolou pra mãe da Claire também antes de voltar. Assim é fácil viver com a culpa, né? Hurley te despreza, Kate.
E por falar em Hurley... ok, não é de hoje que os produtores inserem as FAQ dos foruns online de Lost em alguma cena da série, mas o diálogo entre Miles e Hurley foi TÃO dolorosamente retirado ipsi literis da internet que eu tive uma crise intensa de vergonha alheia. Os Darlton colocam uma trama rocambolesca de deslocamentos temporais na série e agora peidam na farofa e resolvem superexpôr a questão num verdadeiro "Lost para Dummies" dentro da série? Lost Untangled não tá dando mais conta? Foi mal, mas pra esse tipo de intercâmbio cansativo eu já tenho o tópico de Análises. Viagem no Tempo é um assunto que aliena uma boa parte da fanbase, sim, sejam machos e vivam com as consequências. Afinal, ninguém forçou os caras a entrarem nesse mérito.
E o que dizer do Jack? Ele sempre foi CDF e sempre, sempre escolheu a hora errada pra ligar o foda-se. Mas isso já tá ficando chato. Quando ele passa 120% do tempo tentando cuidar da vida de todos ao redor, é um babaca. Quando ele REALMENTE precisa cuidar de alguém, INEXORAVELMENTE ele tira o dia pra pensar em si mesmo antes de mais nada. É tipo a sina do cara, ou os roteiristas tão precisando muito alavancar o Sawyer? Porque tava óbvio que ao se recusar a salvar o pequeno Ben, Jack estava selando o destino de malvadão dele, e que se ele tivesse sido um MÉDICO COMO QUALQUER OUTRO QUE SEGUE A PORRA DO JURAMENTO DE HIPÓCRATES, nada do que aconteceu teria acontecido (mas aí acho que o título do episódio ficaria inútil, né?)
E enquanto estou no embalo, não gostei da explicação "algo aconteceu no templo e apagou a memória de Ben." Preferia achar que ele conhecia os Losties desde o princípio e sempre escondeu isso por trás da cara de maníaco. Já tava até emocionado achando que a fixação dele pela Juliet se devia ao fato da mesma ter salvo sua vida na mesa de operações... mas não, bora lá botar mais um mistério retirado do além pra justificar a perda de memória dele.
Mas só pra não dizer que não falei de LaFleur (viram o que eu fiz aqui?), fiquei muito feliz com o resultado da primeira cena a sós entre Kate e Sawyer depois do retorno dela. Apesar do cliffhanger de "LaFleur" ter aberto a possibilidade dele estar revivendo a paixonite de 3 anos antes, nesse episódio fica bem claro que ele ama a Juliet muito mais do que amou a Kate, e que - como ele bem coloca - ele amadureceu muito no tempo em que eles estiveram longe. Ao contrário dela, que aparentemente só desenvolveu um instinto materno grande o suficiente para englobar o universo, mas ainda assim pequeno demais pra que ela não perca o filho no supermercado poucas horas depois de um maníaco manipulador e cheio de recursos como Ben Linus ter declarado que todos têm que voltar para a ilha. Kate == Motherhood Fail.
E não vou nem comentar o que é a Liz Mitchell na cena em que ela vai dar um sermão no Jack no banheiro. Aquela mulher me dá cócegas em lugares secretos. Se ela adentrasse meu banheiro de sopetão e vestida daquele jeito, só saía 3 dias depois =P
Por fim, dois comentários. Um: é impressão minha, ou Richard Alpert está super bonzinho e amico da galerë nessa temporada? Aquele papo RBD de não reconhecer a autoridade de Ellie (Hawking) e Charles (Widmore), e a gentileza dele ao perguntar se os Dharma querem mesmo que ele leve o moleque, em nada me lembram o Richard frio e calculista das outras temporadas. E dois: os 30 segundos de cena do Terry O'Quinn >>>>>>>>>> o resto do episódio INTEIRO!! Já deu daqueles cabeludos bizarros da Dharma, eu quero mais John Locke!!
Aguardando episódios melhores =P
Não sei o que houve com Lost, mas nas duas últimas semanas eu realmente estou me segurando para não dormir nos episódios. Semana passada eu nem me dignei a comentar o episódio - chato, chato, chato, clichè até o fim da vida, com um final pseudo-bombástico desses que a gente tem certeza que vão ser desfeitos no primeiro minuto do episódio seguinte. Coisa que sempre detesto quando colocam na série. Pelo menos foram poucas.
"Whatever Happened, Happened" é, acima de tudo, um episódio previsível. Ele continua o processo iniciado no episódio anterior de mostrar o que aconteceu com cada um dos O-6 entre o momento da separação nas docas e o momento de embarcar no avião da Ajira, e, tal qual em "He's Our You," as cenas que completam os vácuos de "316" deixam a desejar. Sayid caindo num truque mais velho que andar pra frente e sendo preso por uma caçadora de recompensas que representa um dos sujeitos que ele matou - que trabalhava pra Widmore - mas ao mesmo tempo não tem nada a ver com Widmore ou Ben? Fraco. Kate entregando Aaron para a avó e fazendo uma promessa de que vai trazer Claire de volta? Ok, mas não explica por que ela foi dar pro Jack logo em seguida.
Aliás, vemos que apesar de ter sido a primeira a endossar o plano de Jack de mentir para o mundo, a fofoqueira da Kate não aguentou meio mês e já tinha contado a história toda - 4 temporadas mais os extras do DVD - pra doce e super confiável Cassidy. E de lambuja, desenrolou pra mãe da Claire também antes de voltar. Assim é fácil viver com a culpa, né? Hurley te despreza, Kate.
E por falar em Hurley... ok, não é de hoje que os produtores inserem as FAQ dos foruns online de Lost em alguma cena da série, mas o diálogo entre Miles e Hurley foi TÃO dolorosamente retirado ipsi literis da internet que eu tive uma crise intensa de vergonha alheia. Os Darlton colocam uma trama rocambolesca de deslocamentos temporais na série e agora peidam na farofa e resolvem superexpôr a questão num verdadeiro "Lost para Dummies" dentro da série? Lost Untangled não tá dando mais conta? Foi mal, mas pra esse tipo de intercâmbio cansativo eu já tenho o tópico de Análises. Viagem no Tempo é um assunto que aliena uma boa parte da fanbase, sim, sejam machos e vivam com as consequências. Afinal, ninguém forçou os caras a entrarem nesse mérito.
E o que dizer do Jack? Ele sempre foi CDF e sempre, sempre escolheu a hora errada pra ligar o foda-se. Mas isso já tá ficando chato. Quando ele passa 120% do tempo tentando cuidar da vida de todos ao redor, é um babaca. Quando ele REALMENTE precisa cuidar de alguém, INEXORAVELMENTE ele tira o dia pra pensar em si mesmo antes de mais nada. É tipo a sina do cara, ou os roteiristas tão precisando muito alavancar o Sawyer? Porque tava óbvio que ao se recusar a salvar o pequeno Ben, Jack estava selando o destino de malvadão dele, e que se ele tivesse sido um MÉDICO COMO QUALQUER OUTRO QUE SEGUE A PORRA DO JURAMENTO DE HIPÓCRATES, nada do que aconteceu teria acontecido (mas aí acho que o título do episódio ficaria inútil, né?)
E enquanto estou no embalo, não gostei da explicação "algo aconteceu no templo e apagou a memória de Ben." Preferia achar que ele conhecia os Losties desde o princípio e sempre escondeu isso por trás da cara de maníaco. Já tava até emocionado achando que a fixação dele pela Juliet se devia ao fato da mesma ter salvo sua vida na mesa de operações... mas não, bora lá botar mais um mistério retirado do além pra justificar a perda de memória dele.
Mas só pra não dizer que não falei de LaFleur (viram o que eu fiz aqui?), fiquei muito feliz com o resultado da primeira cena a sós entre Kate e Sawyer depois do retorno dela. Apesar do cliffhanger de "LaFleur" ter aberto a possibilidade dele estar revivendo a paixonite de 3 anos antes, nesse episódio fica bem claro que ele ama a Juliet muito mais do que amou a Kate, e que - como ele bem coloca - ele amadureceu muito no tempo em que eles estiveram longe. Ao contrário dela, que aparentemente só desenvolveu um instinto materno grande o suficiente para englobar o universo, mas ainda assim pequeno demais pra que ela não perca o filho no supermercado poucas horas depois de um maníaco manipulador e cheio de recursos como Ben Linus ter declarado que todos têm que voltar para a ilha. Kate == Motherhood Fail.
E não vou nem comentar o que é a Liz Mitchell na cena em que ela vai dar um sermão no Jack no banheiro. Aquela mulher me dá cócegas em lugares secretos. Se ela adentrasse meu banheiro de sopetão e vestida daquele jeito, só saía 3 dias depois =P
Por fim, dois comentários. Um: é impressão minha, ou Richard Alpert está super bonzinho e amico da galerë nessa temporada? Aquele papo RBD de não reconhecer a autoridade de Ellie (Hawking) e Charles (Widmore), e a gentileza dele ao perguntar se os Dharma querem mesmo que ele leve o moleque, em nada me lembram o Richard frio e calculista das outras temporadas. E dois: os 30 segundos de cena do Terry O'Quinn >>>>>>>>>> o resto do episódio INTEIRO!! Já deu daqueles cabeludos bizarros da Dharma, eu quero mais John Locke!!
Aguardando episódios melhores =P
sexta-feira, 20 de março de 2009
5x09 "Namaste"
Na semana retrasada, terminei meu comentário sobre o 5x08 "LaFleur" dizendo que estava curioso para ver como Sawyer reagiria ao retorno de Jack, e posso dizer que estou deveras satisfeito com a resposta. A dinâmica de "Namaste" me lembrou bastante a estrutura de um episódio de 24 Horas (pelo menos da época em que eu assistia), visto que é um episódio centrado em resolver o gancho deixado pelo anterior. Mas a tensão de ver Jim LaFleur tendo que tomar milhares de decisões instantâneas e estar sempre a meio segundo de botar tudo a perder esconde a sutil disputa que está havendo ali.
Confesso que cheguei a sentir uma certa pena do Jack. Depois de tanto tempo se fudendo no mundo exterior, estar de volta à ilha era tudo o que ele queria. Era a chance de estufar novamente o peito, paternalizar todos ao seu redor e liderar seus iguais para cima e para baixo. E Sawyer, que não é burro, percebe isso logo de cara (quando Jack pega seu plano e bota em "votação," falhando em reconhecer que ele era o xerife agora e que suas ordens não eram sugestões) e dá um cock block violento no doutor. Não só a picuinha de colocá-lo como zelador, mas a questão de fazer Juliet abrir a porta (alguém acredita que não foi de propósito?) e finalmente a resposta mais do que direta ao primeiro sinal de reclamação. É seguro dizer que o Sawyer esmagou preventivamente qualquer tentativa de projeção do Jack, mesmo que inconsciente, antes que o mesmo percebesse que a vida dos que ficaram na ilha foi boa até agora, e que nenhum deles está com muita pressa de sair dali. Sawyer até suspira quando Hurley o lembra que, eventualmente, todos ali serão mortos.
Além disso, esse episódio me tirou a sensação desagradável que "LaFleur" tinha deixado, de que a iniciativa Dharma era composta de 3 gatos pingados. Não sei se foi a falta de figurantes ou o clima intimista e cheio de closes do episódio anterior, mas eu tinha achado tudo vazio demais em comparação com os flashbacks de Ben na terceira temporada. Mas "Namaste" fez um bom trabalho em demonstrar o tamanho e a extensão das operações Dharma na ilha, inclusive botando Jack e o Dr. Pierre Chang cara a cara pessoalmente, além de nos apresentar finalmente a futura-mancha-no-teto Radzinsky (que descobrimos ser o arquiteto da já saudosa estação Cisne) e de responder o que todos estavam se perguntando: quem é o bebê que Juliet botou no mundo? Ethan Rom!
E outra coisa importante de "Namaste" foi termos definido oficialmente o paradeiro de cada um dos passageiros do Ajira 316. Jack, Kate, Hurley e Sayid foram para 1977 enquanto Lapidus, Sun, Ben e Locke ficaram no presente - embora o clarão que levou os outros quatro tenha também deslocado o vôo no tempo, pelo menos de noite para dia. Mas a julgar pela legenda "30 anos antes," acredito ter sido um salto menor, de 2008 para algum ponto de 2007. E que cena BIZARRA aquela do Christian Shepherd na vila destruída! Ele teve manifestações macabras antes, mas essa bateu todos os recordes. E o que dizer do fato de Locke, Sawyer, Hugo e Claire terem passado tanto tempo naquela vila, antes do Keamy mandá-la pelos ares, e nunca terem percebido a foto dos novatos de 77 na parede do barracão de jogos? Mais uma situação Jin-Rousseau para ser discutida por semanas a fio? Eu, pra variar, acredito que eles simplesmente não notaram. Até que me mostrem uma cena da Danielle se reapresentando para o Jin em 2004 ou uma cena de um dos losties olhando as fotos na parede e não reconhecendo ninguém familiar, fica o dito pelo não dito. E mesmo o dito, em Lost, pode sempre ser um deslize - vejam por exemplo a idade da Charlotte, que os produtores admitiram terem errado no podcast oficial dessa semana.
Agora, o que vai ser mais difícil de explicar, vai ser o fato do Ben já ter conhecido o Sayid quando jovem. Afinal, esses sim tiveram interação (intensa) durante as temporadas passadas, e em nenhum momento Ben mencionou qualquer coisa sobre já ter conhecido um iraquiano chamado Sayid. Entretanto, não esqueçamos que ele é Benjamin Linus. Pode perfeitamente ter reconhecido o Sayid desde sempre e nunca ter falado nem demonstrado nada. Ben não desperdiça meia informação sem que haja um proposito tácito a ser alcançado por revelá-la.
Resumo da ópera: excelente episódio, numa excelente temporada. Semana que vem tem mais!
Confesso que cheguei a sentir uma certa pena do Jack. Depois de tanto tempo se fudendo no mundo exterior, estar de volta à ilha era tudo o que ele queria. Era a chance de estufar novamente o peito, paternalizar todos ao seu redor e liderar seus iguais para cima e para baixo. E Sawyer, que não é burro, percebe isso logo de cara (quando Jack pega seu plano e bota em "votação," falhando em reconhecer que ele era o xerife agora e que suas ordens não eram sugestões) e dá um cock block violento no doutor. Não só a picuinha de colocá-lo como zelador, mas a questão de fazer Juliet abrir a porta (alguém acredita que não foi de propósito?) e finalmente a resposta mais do que direta ao primeiro sinal de reclamação. É seguro dizer que o Sawyer esmagou preventivamente qualquer tentativa de projeção do Jack, mesmo que inconsciente, antes que o mesmo percebesse que a vida dos que ficaram na ilha foi boa até agora, e que nenhum deles está com muita pressa de sair dali. Sawyer até suspira quando Hurley o lembra que, eventualmente, todos ali serão mortos.
Além disso, esse episódio me tirou a sensação desagradável que "LaFleur" tinha deixado, de que a iniciativa Dharma era composta de 3 gatos pingados. Não sei se foi a falta de figurantes ou o clima intimista e cheio de closes do episódio anterior, mas eu tinha achado tudo vazio demais em comparação com os flashbacks de Ben na terceira temporada. Mas "Namaste" fez um bom trabalho em demonstrar o tamanho e a extensão das operações Dharma na ilha, inclusive botando Jack e o Dr. Pierre Chang cara a cara pessoalmente, além de nos apresentar finalmente a futura-mancha-no-teto Radzinsky (que descobrimos ser o arquiteto da já saudosa estação Cisne) e de responder o que todos estavam se perguntando: quem é o bebê que Juliet botou no mundo? Ethan Rom!
E outra coisa importante de "Namaste" foi termos definido oficialmente o paradeiro de cada um dos passageiros do Ajira 316. Jack, Kate, Hurley e Sayid foram para 1977 enquanto Lapidus, Sun, Ben e Locke ficaram no presente - embora o clarão que levou os outros quatro tenha também deslocado o vôo no tempo, pelo menos de noite para dia. Mas a julgar pela legenda "30 anos antes," acredito ter sido um salto menor, de 2008 para algum ponto de 2007. E que cena BIZARRA aquela do Christian Shepherd na vila destruída! Ele teve manifestações macabras antes, mas essa bateu todos os recordes. E o que dizer do fato de Locke, Sawyer, Hugo e Claire terem passado tanto tempo naquela vila, antes do Keamy mandá-la pelos ares, e nunca terem percebido a foto dos novatos de 77 na parede do barracão de jogos? Mais uma situação Jin-Rousseau para ser discutida por semanas a fio? Eu, pra variar, acredito que eles simplesmente não notaram. Até que me mostrem uma cena da Danielle se reapresentando para o Jin em 2004 ou uma cena de um dos losties olhando as fotos na parede e não reconhecendo ninguém familiar, fica o dito pelo não dito. E mesmo o dito, em Lost, pode sempre ser um deslize - vejam por exemplo a idade da Charlotte, que os produtores admitiram terem errado no podcast oficial dessa semana.
Agora, o que vai ser mais difícil de explicar, vai ser o fato do Ben já ter conhecido o Sayid quando jovem. Afinal, esses sim tiveram interação (intensa) durante as temporadas passadas, e em nenhum momento Ben mencionou qualquer coisa sobre já ter conhecido um iraquiano chamado Sayid. Entretanto, não esqueçamos que ele é Benjamin Linus. Pode perfeitamente ter reconhecido o Sayid desde sempre e nunca ter falado nem demonstrado nada. Ben não desperdiça meia informação sem que haja um proposito tácito a ser alcançado por revelá-la.
Resumo da ópera: excelente episódio, numa excelente temporada. Semana que vem tem mais!
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